Desvendando a Ultralock Singer: Parte 2

Chegou a hora de entender a passagem de linhas! Já estudou o manual, o esqueminha ilustrado do interior da máquina, assistiu ao vídeo da Singer mas ainda não conseguiu? Vem comigo! sdds katylene

Vou usar linhas de cores iguais aos códigos da máquina pra ficar mais didático, ok?

A) Primeiro coloque cada cone de linha no suporte e passe pelo varalzinho.

cones

B) Trazendo o fio da esquerda para a direita, passe cada linha por baixo do seu respectivo clipe:

amarela1

Depois de passar todas as 4 linhas pelo clipes, vai ficar assim:

clipes

A partir daqui, o manual sugere começar pela linha do LOOPER SUPERIOR (código vermelho), mas eu me atrapalho toda lá no final. Prefiro iniciar pelo mais difícil, que é a linha do LOOPER INFERIOR (código amarelo). Vamos lá?

C) Segurando a linha com as duas mãos, force sua entrada no meio do disco e puxe para baixo.

disco

D) Abra a tampa dos componentes internos e passe a linha pelo estica-fio localizado logo abaixo do disco tensor amarelo:

amarela3E) Com ajuda da pinça, passe a linha por cada “garrinha” na seguinte sequência:

1F) Até aqui foi fácil, né? Preste atenção agora. O LOOPER INFERIOR tem uma haste em formato de gancho. Passe a linha exatamente conforme mostrado na foto:

amarela5G) Desloque a linha para a esquerda até que ela entre em uma pequena fenda desta haste:

amarela6H) Introduza a linha no orifício do LOOPER INFERIOR. Quando você puxá-la, ela deve continuar passando pela fenda e dentro da ranhura do looper.

amarela7

Observe que foi justamente isso o que o esquema ilustrado dentro da máquina tentou mostrar:

esquema1

I) Agora jogue a linha para trás do calcador. Nesse momento, sempre deixo ela passando por baixo do looper superior, exatamente como mostra a foto. Caso contrário, ao iniciar a costura, não consigo formar a corrente pois a linha do looper superior escapa.

amarela8

Agora é mamão com açúcar! Repita o passo C com a linha do LOOPER SUPERIOR (CÓDIGO VERMELHO) em seu respectivo disco.

J) Passe a linha pelo estica-fio, localizado logo abaixo do disco tensor vermelho:

segundoclipe

K) Com ajuda da pinça, passe a linha por cada “garrinha” na seguinte sequência:

1 (1)

L) Introduza a linha no LOOPER SUPERIOR e jogue para trás do calcador.

verm2

Vamos para as linhas das agulhas.

M)  Repita o passo C com a linha da AGULHA DIREITA (CÓDIGO VERDE) em seu respectivo disco tensor.

N) Passe a linha pelos dois estica-fios:

verde1

O) Passe a linha pela fenda superior, conforme indicado pelo código verde:

fendaverde

P) Agora a linha deve ser passada pelo “rabinho de porco” e então, ser introduzida no orifício da agulha.

verde2

Só falta a agulha esquerda!

Q)  Repita o passo C com a linha da AGULHA ESQUERDA (CÓDIGO AZUL) em seu respectivo disco tensor.

R) Passe a linha apenas no segundo estica fio e em seguida, pela fenda inferior, conforme indicado pelo código azul:

azul1

S) Agora a linha deve ser passada pelo “rabinho de porco” e então, ser introduzida no orifício da agulha.

azul2

Vamos ver se deu tudo certo?

Enquanto segurar as 4 linhas, puxe um pouco para trás e gire algumas vezes o volante em sua direção para ver a corrente sendo formada. Ela não vai ficar perfeitamente regular, mas não pode haver linha solta. Todas as 4 linhas tem que participar da formação da corrente:

corrente

Abra a tampa e verifique se as linhas dos loopers não escaparam das garrinhas. Tem que estar assim:

garrinhas

Por último, repare bem como fica o aspecto das linhas depois das primeiras laçadas:

laçada

Tudo certo? Pé no pedal e comece a costurar!

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Desvendando a Ultralock Singer: Parte 1

A Ultralock Singer faz pontos maravilhosos, mas é cheia de minúcias. Qualquer errinho atrapalha todo o andamento da costura, então é importante ler e reler o manual de instruções várias vezes. Tenha a certeza de que na décima leitura você ainda vai descobrir coisas novas!

Apesar de ele resolver a maior parte dos problemas, confesso que acho difícil assimilar tantas informações e conseguir interpretar todas aquelas ilustrações e fotos em preto e branco. Como há pouca informação sobre essa máquina na Internet, vou fazer uma série de posts dando dicas e relatando alguns contratempos que já tive durante o seu uso.

A primeira coisa importante é reconhecer os componentes dessa máquina:

  • DISCOS TENSORES

Ao passar por eles, as linhas são tensionadas em diferentes combinações que proporcionam a variedade de pontos.

discos

Para isso, a linha deve passar exatamente no meio do disco. Parece óbvio, mas não é. Quer ver?

linhaerrada

Viu como a linha passou pelo disco, mas está saindo lateralmente? Já reparei que quando isso acontece, o melhor ajuste de tensão que você tenha alcançado não vai funcionar mais.

Por isso, sempre verifique se a linha entrou e saiu exatamente pelo meio do disco, assim:

linha certa

  • SELETOR R/S

Esse seletor fica um pouco escondido, está ali do lado da faca fixa.

R

Observe que há duas posições para onde o seletor se move: S e R. Na posição R, a borda do tecido enrola sobre si mesma e produz a bainha enrolada. Todos os outros pontos são feitos na posição S.

Me corrijam se eu estiver errada, mas desconfio que esse R venha do inglês rolled hem, que significa bainha enrolada e o S de straight hem que seria algo como bainha comum.

Olhando de cima, dá para ver como fica o alinhamento do seletor com as ranhuras da chapa:

R (1)

  • SELETOR DE COMPRIMENTO

É o que vai definir se os pontos ficarão mais próximos ou mais afastados.

comprimento

Para tecidos médios a pesados (exemplo: algodão, denim, moletom) prefiro o comprimento em 3. Para tecidos mais leves, como chita, viscose e chiffon, gosto do comprimento em 2.

Dica-

  • SELETOR DE AVANÇO DIFERENCIAL

Habitualmente, deve ser mantido em 1,0. Para tecidos com elasticidade você tem duas opções. Se quiser produzir um chuleado com as bordas esticadas, formando um babado, aumente este valor (1,0 a 2,0). Se ao contrário, quiser franzir, reduza este valor (1,0 a 0,7).

avanço diferencial

Enquanto eu fazia meus puxa-sacos, o andamento da costura começou a travar. O motor fazia um barulhão de arranque mas a agulha descia com muita dificuldade, mesmo movendo manualmente o volante. Depois de algum tempo descobri que o seletor de avanço diferencial estava perto de 2,0. Provavelmente esbarrei nele e não percebi que ele saiu da posição 1,0. Imagino que a costura ficou difícil porque o tecido empregado (tricoline 100% algodão) não tinha nenhuma elasticidade para poder ser trabalhado com o avanço diferencial.

  • FACA MÓVEL

A posição dela é bastante óbvia na máquina, mas como virá-la nem tanto. Para isso é necessário pressioná-la para o lado direito e girá-la para cima. Assim:

Untitled design

Untitled design (1)

Nas primeiras vezes que utilizar a máquina é bom movê-la para facilitar a passagem de linhas. Depois você acostuma e nem precisa.

  • SELETOR DE LARGURA

É um botão preto localizado abaixo do Seletor R/S:

Untitled design (2)

Conforme você gira, percebe-se a fenda da chapa abrindo ou fechando, o que altera a largura do ponto:

Configuração de fábrica

Por exemplo: na configuração de fábrica, usando duas agulhas, a largura do chuleado é de 5,7mm. Girando o seletor, a largura oscila entre 5,2 e 6,7mm. Como a variação obtida é sutil, prefiro utilizar o método da troca de posição das agulhas para definir a largura do ponto.

  • AGULHAS

As agulhas dessa máquina são as n°2022. Elas são vendidas nos tamanhos 90/14 e 80/11 em cartelas com 10 unidades.

agulhas

Para trocá-las, basta utilizar a chave de fenda que vem com os acessórios da máquina e girar o parafuso da haste das agulhas. Note há um ligeiro desnível: a agulha esquerda fica mais pra cima do que a direita.

trocaagulha

No ponto cadeia, que utiliza 4 fios, as duas algulhas são usadas simultaneamente. Para os demais pontos, você vai trabalhar com apenas uma agulha e pode escolher a posição da esquerda ou da direita, obtendo-se assim um chuleado mais largo ou mais estreito.

No próximo post, falarei sobre passagem de linhas. Até lá!

Resenha: Singer Facilita Super 2968

Depois de quase 2 anos no batente, nada mais justo do que resenhar minha primeira máquina de costura. Adquiri esta máquina em agosto de 2013, com o intuito de aprender a costurar e na época não tive nenhuma costureira experiente para me orientar durante a compra.

Optei pela Singer pois além de ser bastante conhecida, essa marca oferece através do seu site e do canal no Youtube, um bom direcionamento para a escolha do modelo que pode melhor te atender. Vale dizer que os vídeos são cativantes! Só a musiquinha já me enche de boas recordações…

O modelo que escolhi foi a Facilita Super 2968, cujo design, na minha opinião, é um dos mais bonitos.

Esta máquina tem 18 tipos de pontos diferentes, dentre eles, os utilitários (reto, zig-zag, bainha invisível), os decorativos e os flexíveis (para tecidos elásticos). A seleção dos pontos é bem fácil, basta girar o disco seletor. Nunca usei os pontos flexíveis, acredito que a maior utilidade para eles é na confecção de moda íntima e moda praia.

seletor ponto
Em preto: pontos utilitários e decorativos/ Em vermelho: pontos flexíveis/ Em azul: caseado automático

A passagem de linha é bem simples, em toda a máquina há indicações do caminho a ser precorrido pela linha que vem do retrós. O manual de instruções é bem decente e à parte ainda veio um folheto só de explicações para passagem da linha e enchimento da bobina.

pasagem linha

A seleção da largura e do comprimento dos pontos são igualmente fáceis.

Seletor de largura do ponto
Seletor de largura do ponto.

Basta pressionar o botão central para acionar o retrocesso:

Seletor de comprimento/ Seletor de Caseado (4 passos)/ Botão Retrocesso
Seletor de comprimento/ Seletor de Caseado (4 passos)/ Botão Retrocesso

Para mim, essa máquina tem dois diferenciais.

O primeiro é a posição da bobina, que é horizontal, enquanto na maioria das máquinas a posição é vertical.

bobina horiz

Parece bobeira, mas isso facilita tanto, repito, TANTO, a colocação da bobina! Principalmente pra quem é iniciante. A posição horizontal é tão eficiente, que permite ver quando a linha da bobina está acabando (só abrir a chapa) e simplifica a limpeza e lubrificação da lançadeira.

Importante dizer: atenção ao tipo de bobina. Essa máquina só utiliza bobina baixa, hein! Se tentar utilizar a bobina alta, os pontos vão sair todos embolados!

O segundo diferencial é a velocidade, que é bem alta (1.100 pontos/minuto). Ao utilizar a velocidade máxima, você produz uma costura mais rápida, o que pode ser bastante útil. Para as iniciantes na costura, entretanto, essa característica tende a dificultar um pouco o manejo da máquina. É preciso aprender a pisar bem leve no pedal para conseguir uma velocidade em que seja possível trabalhar curvas ou costurar viés, por exemplo. Mas nada que a prática não resolva!

Considero um ponto negativo nesta máquina a capacidade limitada em costurar muitas camadas de tecidos pesados. Por isso, não a recomendo para consertos em jeans/brim e confecção de bolsas em lona. Uma Janome 2008 cumpre este papel direitinho, conforme tive oportunidade de experimentar no curso da Helena.

Durante este tempo, minha máquina apresentou dois problemas. Depois de 4 meses em uso, a lâmpada, que é de LED, começou a piscar enquanto fazia os pontos. Para trocá-la, é preciso levar à assistência técnica, o que convenhamos, é um absurdo. Ainda mais pra filha de eletricista e rei da gambiarra. Como era mais vantajoso ficar sem a iluminação, resolvi o problema cortando os fios com um alicate. Assim, preciso de um fonte de iluminação externa para costurar à noite.

O outro problema foi no pedal, após 1 ano e meio em uso. A máquina continuava a costurar quando eu retirava o pé do pedal, o que era bem desesperador. Para interromper a costura, só movendo a chave liga/desliga ou retirando o plugue da tomada. Levei o pedal à assistência técnica e descobri que o defeito estava numa molinha do circuito elétrico, que insistia em não retornar a sua posição inicial uma vez retirada a pressão. Precisei substituir o circuito elétrico, que aqui em Belo Horizonte, me custou R$ 45,00.

Apesar dessas ressalvas, considero uma máquina boa. Já costurei peças em tecidos médios, leves, plástico, TNT, mantas acrílicas e ela segue trabalhando bastante!

produção

Minha Singer

soso

Comprei porque fazia roupinhas pras minhas Barbies quando era criança, mesmo sem pegar em máquina.

Porque quando era adolescente, desenhava vestidos de festa só por desenhar mesmo.

Porque todas minhas tias aprenderam a costurar com as mães, mas a tradição parou na minha geração.

Porque a gente se veste sem perceber todo o conhecimento e técnica que existem por trás da confecção de uma peça.

Porque Elie Saab e Jenny Packham fazem coisas lindas demais, mas nunca vou achar nada parecido na vitrine.

Porque poder dizer “eu que fiz” afaga o ego.

E porque extravasar a criatividade faz bem.  =)